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21 de janeiro de 2006

Carnaval da Prefeitura promete muita polêmica



(Nas fotos: Leda Pinho, da "Boca no Trombone" do Jornal Botija Parda, e Luiza Marangoni, diretora da Unipac, manifestam aqui suas indignações)

Em Araguari, o carnaval deste ano, promovido pela Prefeitura, poderá ser muito mais do que simplesmente os tradicionais reco-recos, balangandãs e peitos e bundas [quase] totalmente nus. Além de polêmicas poderá gerar até discórdias e manifestações públicas de protesto.

Isso porque a maioria da população residente nos bairros Jóquei Clube e Santiago estão irados, revoltados e inconformados com a escolha do local para a realização da festa: as dependências do Parque de Exposições do Sindicato Rural, vizinho há muito indesejado daquelas áreas de grande densidade residencial, pelos transtornos que causa em dias de festas e shows que ali sempre acontecem.

A polêmica e os protestos já estão instalados na maioria dos moradores daquelas duas localidades e atingem também a parte dos residentes nos bairros Miranda e Santa Terezinha.

No início da semana, uma comissão irá à Câmara Municipal e ao Ministério Público pedir a escolha de outro lugar e a proibição da realização dos eventos programados para o Parque.

Caso os vereadores e a Promotoria de Justiça não dêem amparo à reivindicação, os Festejos de Momo poderá vir a se transformar em caso de polícia, tamanho o inconformismo do povo daquela região da cidade.

Além do barulho, os moradores reclamam de outras inconveniências que ocorrem sempre quando há eventos realizados no Parque de Exposições. Dentre eles, depredação, vandalismo, obscenidades e sujeira provocada por cocôs, xixis e ..., digamos, camisinhas recheadas, produto denunciador de atos sexuais praticados no meio das ruas, nas calçadas e veículos estacionados nas proximidades.

Para entender melhor porque a população se revolta, dêem uma passada de olhos nos textos da jornalista Leda Pinho e da professora Luiza Helena Marangoni Pereira, publicados ontem no Jornal Botija Parda e reproduzidos aqui (abaixo). Ambas são vizinhas do Parque e residem na Avenida Cornélia Rodrigues da Cunha, via definida para sediar a realização dos desfiles das escolas de samba.

DESRESPEITO

LEDA PINHO - Não bastassem os incômodos a que são submetidos os moradores próximos ao fatídico Parque de Exposição, com os eventos tipo “Pega de Demolição”, “Concurso de Som Automotivo”, “Festa do Peão”, “Forrós”, “Encontro de Motos” entre outros realizados o ano inteiro, resolvem agora de maneira irresponsável e abusiva, levar para aquele local o Carnaval de Rua.

Na programação consta shows das 21:00 às 03:00 da manhã durante cinco dias.
Nada contra o carnaval, mas contra sim a invasão do direito a um pouco de tranqüilidade e privacidade dos moradores tão penalizados daquela área.

É preciso esclarecer aos donos da “brilhante idéia” que durante as realizações dos eventos – quase sempre de péssima qualidade – ninguém dorme, além dos prejuízos materiais sofridos.

Querem exemplos? Vamos lá: calçadas danificadas, pinturas das casas idem, sujeira nas portas que são usadas como banheiros, garrafas quebradas, interfones danificados, além das brigas, obscenidades, etc, etc, etc.

Os imóveis são com certeza desvalorizados em virtude de tanto desmando e pouco sossego.

Aos donos da idéia, total repúdio.

Há anos e anos discute-se a necessidade de um local adequado, fora de área residencial, para que esses eventos fossem realizados.

É o caso de cidades como Campina Verde, Ituiutaba entre outras que são lideradas por gente que pensa grande e vê no carnaval fonte de renda para o município, atraindo pessoas, desenvolvendo turismo de maneira organizada. Não esse oba-oba para inglês ver, que não gera nada e nem promove o crescimento das escolas participantes.

Obviamente o local foi solicitado pela prefeitura e cedido pelo Sindicato Rural cujos autores sabem perfeitamente do caos que se estabelece naquele setor da cidade, hoje área residencial.

Mas e daí?

Tanto os “solicitantes” quanto os “cedentes” não cairão na folia de rua e nem residem nas proximidades.

Seus direitos estarão preservados, não é assim?

Quem arcará com os prejuízos morais e materiais dos moradores, arrastados ano após ano?

Pelo menos as crianças e os idosos deveriam passar o carnaval desfrutando a paz e a tranqüilidade na casa dos responsáveis pela infeliz idéia.

É uma sugestão.

Finalizando, é preciso reforçar que nada contra o carnaval, respeitos e aplausos às escolas de samba que apresentarem o desfile apesar das dificuldades, mas tudo contra com total veemência aos articuladores do absurdo de acrescentar mais um ato de desrespeito aos moradores do Jóquei Clube e imediações.

Não será esquecido, estejam certos!

É hora de seguir o exemplo de Uberlândia – veja Camaru – que realiza seus eventos com sucesso e não agride ninguém.

Assim dá pra perceber que não é o carnaval o errado, mas sim a localização do Parque de Exposições.



POR QUE NÓS?

LUIZA MARANGONI - Quando adquirimos uma residência, escolhemos um ponto plausível para morarmos e criar nossa família.

Nossa Avenida Cornélia Rodrigues da Cunha é larga e bonita, mas tem grandes problemas com os quais estamos aprendendo a conviver. No entanto, tomei conhecimento que existe uma proposta para que os festejos de Carnaval sejam realizados nesta Avenida que vai para o Pica-Pau. E aí, creio ser nosso dever mostrar que já sofremos com os concursos de sons automotivos, com os campeonatos de motos, com shows abusivos, com festas do peão, com outras atividades que muito prejudicam nossa avenida, nosso direito ao descanso e nossa segurança.

Não tenho nada contra os festejos carnavalescos, mas que eles aconteçam em locais onde não prejudique os moradores.

Gostaria, muito, que as autoridades pudessem repensar o fato e alterarem o local, pois já sofremos com muitos eventos que transgridem os Direitos Humanos e a Segurança Ambiental.

Porque nós? Também pagamos impostos!

1 comentários:

Adriano Magal disse...

Saudações,
Sou filho desta terra, vivi durante meus 30 anos em outras localidades, mas a maior parte dos anos na bela Araguari.
Confesso que nunca vi tanta mediocridade, ipocrisia e oportunismo.
Me faço aqui solidário as Senhoras e todos os demais Araguarinos.
Não só o parque de exposições encontra-se em local totalmente incoveniente na atualidade, bem como o aeroporto municipal.
Ambos atrazam o progresso no município, gerando todos estes transtornos que presenciamos .
Será que os senhores " coroneís " e seus simpatizantes ainda não entraram no século 21 ?
Araguari já passa da casa de 120 mil habitantes ! Chega dessa mentalidade de "currutela" !
Condado americano ?
Welcome to Araguari ?

Abraços.

Editor

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Aloisio Nunes de Faria
Araguarino, redator e diretor dos jornais Panorama, Ventania, Jornal de Araguari, Araguari Hoje e Folha de Araguari. Trabalhou também no Diário de Araguari. Atualmente, é editor de Jornalismo Online (JOL) da Gazeta do Triângulo e Vice Presidente da Fundação Araguarina de Educação e Cultura-FAEC.
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