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21 de janeiro de 2006

Araguari merece uma reestruturação urbanística

Segue abaixo texto para, caso seja de interesse do Blog, ser publicado como opinião de um cidadão. Muito obrigado!!!
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A R Q U I T E T U R A N D O ...

Beleza é tudo? O que aguça tanto o ser humano a satisfazer seu ego estético? Isso tem alguma coisa a ver com os padrões impostos ou é um estado psicológico do ser humano? O que arquiteto entende de psicologia e de estética?

Quantas perguntas, Ufa!!!... Será que vou conseguir dar resposta a todas?

Poxa, outra pergunta... Brincadeiras a parte...

Vou começar pela última pergunta... Vou conseguir sim responder a todas.

O arquiteto trabalha o tempo todo com o fenômeno estético. Trabalha a plástica do edifício em cada traço, risco, rabisco, forma e pra que tudo isso se harmonize leva em consideração o estado emocional que a referida obra vai proporcionar ao seu entorno. Isso tudo está relacionado com o planejar!

As marcas que a arquitetura deixa no contexto urbano refletem as soluções adotadas na concepção do espaço edificado e não edificado.

Todo mundo admira a beleza das obras arquitetônicas esteticamente solucionadas. Essas obras se tornam referências e podem vir a estabelecer um novo estilo a ser adotado.

Quando isso acontece, acaba se tornando um padrão imposto pelo estilo, onde todos os arquitetos daquela época adotam e criam suas obras baseadas nos padrões arquitetônicos, porém, o estado psicológico do arquiteto impõe uma marca e diferencia sua obra das demais. O conceito arquitetônico vem do estilo, mas o partido arquitetônico é definido pela experiência do arquiteto, através das necessidades da edificação.

Então, cada edificação, tem uma história, uma necessidade, um partido arquitetônico, e não pode ser julgada apenas pela estética, mas analisada por sua função social.

Fazendo uma analogia entre a estética arquitetônica e a estética humana, observa-se uma relação entre elas. As pessoas classificam as obras arquitetônicas como bonitas ou feias, assim como classificam pessoas da mesma forma.

Assim sendo, estética está relacionado com beleza exterior, na visão da maioria das pessoas. Mas na verdade, estética é a plástica psicológica refletida no espelho das emoções. É a somatização das experiências e dos padrões que se adotam para conceituar objetos, os outros e a si mesmo.

A aldeia global impõe às pessoas e incute padrões estéticos mundiais, que são adotados sem a mínima coerência. Isso ocorre na arquitetura e nas atitudes humanas.

Quando se diz que o padrão de beleza da mulher é aquela bem magérrima e que o padrão de beleza do homem é o “saradão”, não reflete a realidade de cada um, nem se seu biótipo, seu histórico genético e sua saúde permitem essas alterações para igualar aos padrões impostos pela sociedade. Na arquitetura, cada edificação é planejada para atender as necessidades de seus habitantes, sejam eles permanentes ou temporários. Se as obras de Oscar Niemeyer são referências da arquitetura moderna, pode-se aprender com a experiência dele, mas nunca projetar igual a ele, ser igual a ele, pois o espelho das emoções dele é diferente do nosso.

Poucos sabem, mas o arquiteto e urbanista é quem planeja, dinamiza e somatiza as emoções em uma cidade. Uma cidade linda esteticamente, não quer dizer que seja plasticamente perfeita psicologicamente. Lúcio Costa ao planejar Brasília, vislumbrou cada setor daquela cidade para atender as necessidades de seus habitantes, bem como a projetou para ser uma cidade apenas administrativa. O conceito moderno utilizado pelo urbanista, tornou-se um divisor de águas para a arquitetura e o urbanismo contemporâneo. Pena que Brasília foi submetida a uma cirurgia plástica, onde suas marcas conceituais foram apagadas e hoje, o que ficou foi o inchaço da irresponsabilidade de uma cirurgia mal realizada.

Araguari, quando do trecho em construção da Cia. Mogiana de Estrada de Ferro percurso Araguari – São Pedro do Uberabinha (Uberlândia), teve através do engenheiro responsável Achiles Widulick, a elaboração da primeira planta da delimitação urbana. A Câmara aprovou-a pela Lei n° 11 e três anos depois, em 1898, a Lei n° 50 determinou o alinhamento, nivelando e a demarcação de praças, ruas e avenidas da cidade. Segundo a planta do engenheiro os logradouros foram demarcados por números [1].

Podemos considerar Araguari como uma cidade que um dia foi planejada. Mas, pelos interesses políticos de cada um dos nossos governantes durante todos esses anos, permitiram o crescimento desordenado da malha urbana. Hoje, Araguari clama por uma “cirurgia plástica”, para minimizar as marcar da irresponsabilidade de políticos de uma época que não sabiam – ou faziam que não soubessem – que para se governar tem que haver planejamento para a cidade não apenas crescer, mas desenvolver em todos os sentidos devendo gerar qualidade de vida a seus habitantes e visitantes.

Portanto, Araguari merece passar por uma reestruturação urbana, porém que não queiram fazer de Araguari algo que não condiz com sua realidade, com sua essência psicológica. Nossa cidade tem uma identidade própria e precisa ser redescoberta, incentivada e admirada.
E tenho dito!!!

Alessandre Humberto de Campos

Arquiteto e Urbanista - Crea/MG 05000616

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Aloisio Nunes de Faria
Araguarino, redator e diretor dos jornais Panorama, Ventania, Jornal de Araguari, Araguari Hoje e Folha de Araguari. Trabalhou também no Diário de Araguari. Atualmente, é editor de Jornalismo Online (JOL) da Gazeta do Triângulo e Vice Presidente da Fundação Araguarina de Educação e Cultura-FAEC.
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